OPERAÇÕES ENXUTAS EM CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO E O COMPARTILHAMENTO DE RESPONSABILIDADES COMO FÓRMULA DE SUCESSO

Ao longo de décadas, temos ouvido falar da “manufatura enxuta”, desenvolvida no Japão do pós-guerra, e como o seu conceito se expandiu para além dos domínios da fabricação, sendo aplicado também a outras etapas da cadeia produtiva e de distribuição.

Mais recentemente, muito se tem discutido sobre a sua utilização prática na logística, em especial em operações de armazenagem, o que me leva a perguntar se se trata meramente de um modismo, de um “adaptacionismo” ou se verdadeiramente há aplicabilidade do conceito para as operações logísticas.

Pois é justamente sobre isso que pretendo discorrer neste artigo, primeiramente para alinhar princípios e, segundo, para confirmar se estamos considerando sua aplicação da forma mais adequada àquilo que se espera como resultado.

Excelência operacional

Há diversas estratégias que devem ser adotadas para se obter excelência operacional, porém todas, indistintamente, têm de considerar pessoas, processos e sistemas.

Esses três fatores, quando geridos de forma inteligente e integrada, são capazes de produzir resultados de excelência em termos de produtividade focada em melhoria contínua, velocidade aliada a um alto nível de qualidade, e, por último, custos controlados, que são facilmente identificáveis quando há oportunidades de redução.

Conceito de operação enxuta

A conceituação de uma operação enxuta tem seu foco no envolvimento total da organização. Estou falando, portanto, de “pessoas” e não meramente na redução de etapas, eliminação de tarefas repetidas ou na busca insana pela redução de custos.

Enquanto não entendermos que os colaboradores são o maior ativo de qualquer empresa e que operações enxutas começam com o empoderamento desses, cada um a seu nível, para que executem suas tarefas de forma correta e com os recursos adequados, com qualidade e no tempo estabelecido, todo o esforço para implantação do conceito será em vão.

O conceito de operação enxuta está atrelado, portanto, ao envolvimento de pessoas, todas com o mindset de busca contínua pela otimização das operações.

Somente após isso estar muito claro na organização e, óbvio, do topo (compromisso) à base (envolvimento), é que se poderá pensar em implementar ferramentas específicas, tais como “5S”, incluindo-se um 6º “S” para Segurança, e muitas outras.

A padronização como prioridade

Um dos primeiros e principais fatores de sucesso para a implantação de operações enxutas é a padronização e, em especial, a documentação dos processos. A melhoria contínua e a identificação de falhas somente são possíveis em operações claramente padronizadas e regularmente documentadas.

Veja, por exemplo, o ciclo “PDCA”, largamente utilizado na “Sistema TOYOTA de Produção”, que é o berço da operação enxuta. É impossível sua aplicação sem a base padronização-documentação dos processos instalada.

Gestão à vista como fator de envolvimento e progresso

As chamadas “gestão à vista” são fundamentais, pois todas as informações, objetivos e outros dados gerenciais são totalmente compartilhados com a equipe, de forma a possibilitar seu completo envolvimento.

A sua aplicação em postos-chave da operação promove a integração do time de trabalho nas discussões sobre objetivos, desvios e planos de ação, dando um importante impulso na motivação do grupo e elevando seu grau de resposta aos desafios.

Além disso, a aplicação da gestão à vista, aliada a um mapeamento do fluxo de valor das operações (Value Stream Mapping), ajudará na identificação das tarefas ou atividades que agregam ou não valor à operação e, se corretamente utilizado, os desperdícios serão eliminados, potenciais de melhorias serão facilmente identificados e a qualidade final da operação estará garantida. Isso é uma receita para o sucesso.

Uma operação enxuta depende de outras ferramentas

Há muitos outros conceitos ou ferramentas complementares que podem e devem ser aplicados, porém cada uma a seu tempo e à medida que se perceba claramente a evolução do time e a garantia da robustez dos processos.

Tomemos como exemplo o Six Sigma, usualmente atrelado ao conceito “enxuto”, mas que nada mais é que uma excelente ferramenta complementar e que se utiliza de técnicas analíticas e estatísticas na investigação e no direcionamento das soluções em problemas operacionais.

Programas de manutenção preventiva, associados a nomeação dos responsáveis pela operação de máquinas e equipamentos, já que estes os conhecem como ninguém, são outro recurso importante para o modelo.

Concluindo

Vimos, portanto, que o conceito de operação enxuta pode, sem dúvida, ser aplicado às operações logísticas, notadamente nas operações de armazenagem e em centros de distribuição.

O modelo é validado e sua implementação segue regras básicas, que precisam ser respeitadas na sua sequência e com o envolvimento total de todo o time de trabalho.

Desejo a Você, que me lê agora, sucesso pleno na sua empreitada rumo à excelência operacional, lembrando que tornar uma operação “enxuta”, não é, desculpe-me pelo trocadilho, secar os recursos, mas, sim, fazer brotar o sucesso, irrigando muito o seu time com motivação e compartilhamento das responsabilidades e resultados.

Até a próxima!

Publicado originalmente em: http://www.logweb.com.br/colunas/operacoes-enxutas-em-centros-de-distribuicao-do-conceito-implantacao/

OPERAÇÕES ENXUTAS EM CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO E O COMPARTILHAMENTO DE RESPONSABILIDADES COMO FÓRMULA DE SUCESSO

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