PROJETOS CONSTRUTIVOS DE PISOS DE CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO E SUA RELAÇÃO COM A PRODUTIVIDADE OPERACIONAL

Determinados desafios operacionais em projetos de centros de distribuição, especialmente aqueles ocasionados por pisos não adequadamente projetados, e construídos fora de determinadas especificações técnicas, é que me levaram a escrever este artigo, mesmo não sendo Engenheiro Civil.

Ao longo de tantos anos desenvolvendo e implementando projetos logísticos, raríssimas vezes encontrei prédios cujos pisos atendessem aos requisitos de instalação de estruturas de armazenagem verticais de grande altura, com a mínima ou nenhuma necessidade de aplicação de calços metálicos de ajustes para a sua prumagem ou que, da mesma forma, atendessem ao tráfego de empilhadeiras, especialmente aquelas operadas em VNAs (corredores muito estreitos), as quais exigem precisão no seu posicionamento ao longo dos corredores dessas estruturas.

Grande parte do problema está no nivelamento e na planicidade do piso. O nivelamento e a planicidade têm índices definidos por normas internacionais, sendo a mais utilizada a americana ASTM1155, do ACI (Instituto Americano de Concreto), e que possuem referências distintas, através de dois números indicados pela letra “F“: O “Fl” (Floor Levelness Number ou Número de Nivelamento) e o “Ff” (Floor Flatness Number ou Número de Planicidade).

O nivelamento (Fl) avalia a inclinação do piso, enquanto a planicidade (Ff) avalia a sua ondulação de superfície, e são largamente aplicados na medição de pisos de tráfego randômico de empilhadeiras e demais equipamentos de movimentação. Para a medição, são utilizados equipamentos computadorizados e quanto maior forem esses números, melhor será a qualidade do piso.

Há, ainda, um terceiro índice medido pelo número “Fmin“, usado em menor escala e que é aplicado exclusivamente a pisos com tráfego definido, que é o caso, por exemplo, de empilhadeiras em VNA, onde há programação prévia de altura, no equipamento, para cada nível de pallet armazenado.

A questão da irregularidade de superfície obriga a drástica redução de velocidade de empilhadeiras, pois acabam provocando inclinação da mesma, à medida da elevação do seu mastro, além de diminuir a estabilidade da carga transportada.

Outros graves problemas em pisos, são as juntas de dilatação não devidamente tratadas ou a ocorrência de trincas estruturais e fissuras, que podem levar a diversas outras complicações, afetando diretamente a produtividade operacional.

Um dos exemplos é a quebra das bordas dessas juntas, trincas ou fissuras, que obriga operadores a diminuírem a velocidade, evitando que rodas rígidas de polímeros (não pneumáticas), eixos de empilhadeiras e de outros veículos industriais se quebrem ou que venham exigir manutenção corretiva no equipamento, em função de solavancos ou trepidações.

Numa rápida análise, chego a concluir que há pouca experiência ou capacitação de quem define tecnicamente o piso para as construtoras quando da contratação da obra. Estas, por sua vez, invariavelmente fazem um bom trabalho na construção dos pisos chamados “industriais”, que suportam grande peso por metro quadrado e até têm um acabamento superficial tolerável, mas que raramente atendem aos requisitos mínimos de nivelamento e planicidade.

Este é um tema que deve passar a ser uma das principais preocupações nos processos construtivos, pois os prédios estão cada vez mais altos e os modernos equipamentos de movimentação garantem alta produtividade, imprimindo velocidades maiores.

Certamente, passará a ser um diferencial competitivo importante para construtoras, locadores e para os que constroem para uso próprio.

PROJETOS CONSTRUTIVOS DE PISOS DE CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO E SUA RELAÇÃO COM A PRODUTIVIDADE OPERACIONAL

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